7 coisas que acontecem quando você adota uma dieta sem glúten
Não perder peso, ficar com o intestino preso e ver a conta do supermercado duplicar estão entre os efeitos de quem resolve eliminar a proteína encontrada no trigo e outros grãos do prato

Não é difícil encontrar nos dias de hoje alguém que tenha cortado o glúten da dieta. A proteína encontrada no trigo, cevada, entre outros grãos virou o grande vilão dos alimentos –embora, estima-se, apenas 1% da população seja celíaca, como são chamadas as pessoas com um problema digestivo provocado pela substância.

A indústria de alimentos sem glúten, por outro lado, não para de crescer. “Existem pessoas que realmente precisam desse tipo de alimentos por razões médicas, mas essa não é a maioria das pessoas que evitam o glúten”, diz o médico Alessio Fasano, diretor do Centro de Pesquisa em Doença Celíaca do Hospital Geral de Massachusetts, ao New York Post.

O especialista listou 7 efeitos que uma dieta totalmente livre da proteína –ou baseada totalmente em produtos glúten-free- podem provocar. Confira.

1. Você provavelmente não vai perder peso
Sem glúten não é igual a sem caloria. Na verdade, muitas versões de alimentos sem glúten contêm mais calorias, gordura, açúcar e sódio do que os originais para tentar manter o sabor e textura quando o trigo é retirado, diz o médico. Além disso, ele alerta, achar que uma alimento sem glúten faz bem tende a fazer as pessoas consumirem mais. Se a ideia é diminuir o glúten, o foco deve ser acrescentar mais frutas, vegetais e carnes magras à dieta, em vez de substituir os mesmos alimentos processados por suas versões glúten-free.

2. Sua conta de supermercado vai aumentar
A sua carteira deve sentir primeiro os efeitos de sua dieta sem glúten. Produtos sem a proteína como pretzels, massas, cookies e biscoitos custam em média até duas ou três vezes mais que os convencionais, segundo uma pesquisa feita pelo “Journal of Human Nutrition and Dietetics”. “Esses alimentos são mais caros de produzir porque usam grãos especiais e necessitam de procedimentos específicos para evitar contaminação cruzada”, explica Fasano.

3. Você pode sofrer com intestino preso
Uma pesquisa do “Journal of Nutrition” mostrou que, nos EUA, 90% da população consome menos fibras que o recomendado por dia (25g para mulheres, 38g para homens). Escolher uma dieta sem glúten pode diminuir ainda mais essa quantidade e quem vai sofrer é o seu intestino.
“As fibras alimentam nosso microbioma”, diz o médico. “Elas mantêm nosso intestino saudável e funcionando e, quando não há o suficiente, você fica mais suscetível a desenvolver inflamações, irritações e dores.”
4. Você vai querer ficar mais tempo na cama
Quando elimina trigo, cevada, centeio e outros grãos do prato, você não está só se livrando do glúten, mas também grande parte de sua ingestão diária de nutrientes que vem em alguns alimentos, como ferro, fibras, ácido fólico, zinco e vitamina D. “Quando alguém com doença celíaca vai iniciar uma dieta sem glúten, sempre orientamos que seja sob supervisão de uma nutricionista para ter certeza que não faltem nutrientes”, afirma Fasano. “Quando alguém faz isso por sua própria conta, sem dar atenção a essas substituições, pode ter deficiência de nutrientes importantes.” Os sinais dessa falta incluem fadiga, fraqueza, queda de cabelo e mudanças de humor.

5. Você pode consumir muito mais conservantes
Quando os fabricantes removem alimentos que contêm glúten, como o trigo, de seus produtos, em geral substituem por outros grãos, como arroz. O problema é que o arroz pode ser uma grande fonte de conservantes como o arsênico inorgânico, mineral usado em fertilizantes e conservantes que pode levar ao desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e até câncer de pulmão.

6. Você pode aumentar suas chances de ter câncer
Uma das razões pelas quais muita gente está eliminando o glúten do prato é a popular dieta Paleo, que defende evitar todos os tipos de grãos (o que inclui os que contêm a proteína). A “dieta do homem das cavernas” estimula a comer mais carne -20% das calorias diárias devem vir de proteínas, principalmente animais. O problema é que, segundo o jornal “Cell Metabolism”, esse aumento do consumo de proteína animal pode aumentar em até quatro vezes as chances de ter câncer no futuro. O mesmo não acontece se o consumo de proteína for uma mistura de fontes animais e vegetais.

7. Você pode evitar os efeitos da sensibilidade ao glúten
Enquanto a doença celíaca afeta apenas 1% da população, um grande percentual sofre de sensibilidade ao glúten. Isso quer dizer que estas pessoas não são totalmente intolerantes à proteína, mas sentem efeitos que vão de confusão mental à depressão. Um estudo publicado no jornal Alimentary Pharmacology & Therapeutics apontou que pessoas com esta sensibilidade tem mais tendência a sentir sintomas de depressão quando consomem glúten. “Estamos apenas no início de entender as diferentes maneiras de como o glúten pode afetar nosso organismo. A relação com o cérebro ainda é uma das áreas menos pesquisadas”, afirma o diretor do Centro de Pesquisa em Doença Celíaca do Hospital Geral de Massachusetts.